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domingo, 15 de abril de 2012

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"E no entanto como valera mais se fôssemos da gente média que nos rodeia. Teríamos, pelo menos de espírito, a suavidade e a paz. Assim temos só a luz. Mas a luz cega os olhos… Somos todos álcool, todos álcool! — álcool que nos esvai em lume que nos arde!" 

Mário Sá Carneiro* 

domingo.

"
"Bebido o luar, ébrios de horizontes, 
 Julgamos que viver era abraçar 
 O rumor dos pinhais, 
o azul dos montes 
 E todos os jardins verdes do mar. 

 Mas solitários somos e passamos, 
 Não são nossos os frutos nem as flores, 
 O céu e o mar apagam-se exteriores
 E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

 Porquê jardins que nós não colheremos,
 límpidos nas auroras a nascer, 
 Porquê o céu e o mar se não seremos nunca os deuses capazes de os viver." 

 * Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 5 de julho de 2011

Há dentre de nós um poço ~



"..Há dentro de nós um poço. No fundo dele é que estamos, porque está o que é mais nós, o que nos individualiza, a fonte do que nos enriquece no em que somos humanos. E a vida exterior, o assalto do que nos rodeia, o que visa é esse íntimo de nós para o ocupar, o preencher, o esvaziar do que nos pertence e nos faz ser homens. Jamais como hoje esse assalto foi tão violento, jamais como hoje fomos invadidos do que não é nós. É lá nesse fundo que se gera a espiritualidade, a gravidade do sermos, o encantamento da arte. E a nossa luta é terrível, para nos defendermos no último recesso da nossa intimidade. Porque tudo nos expulsa de lá Quando essa intimidade for preenchida pelo exterior, quando a materialidade se nos for depositando dentro, o homem definitivamente terá em nós morrido.

Já há exemplos disso. Um dos mais perfeitos chama-se robot. É invencível pensarmos o que será o homem amanhã. E nenhuma outra imagem se nos impõe com mais força. Mas o que desse visionar mais nos enriquece a alma é que o homem então será possivelmente feliz. Porque ser homem não é ter felicidade mas apenas ser humano. Não há grandeza nenhuma feliz e é decerto por isso que se diz que os felizes não têm história. A única felicidade compatível com a grandeza é a que já não tem esse nome, mesmo que o tenha. Chamemos-lhe apenas compreensão ou aceitação."

» Vergílio Ferreira